Assine o Feed desse BlogEu já sabia que o livro estava sendo celebrado de norte a sul, e de leste a oeste, mas encarar um livrão daqueles, apenas para acompanhar a tendência literária do momento, me causava um profundo cansaço. Sou daquelas que quando compra, não desiste de jeito nenhum, mesmo que a leitura seja enfadonha e repetitiva. E quem tem formação em história já sabe que a história está encerrada na história. Então por que ler mais um livro da mesma história que foi contada no meu curso de história? Só depois q
Ele tem os olhos amendoados, é japonês. Ela é brasileira, com traços que lembram os paraenses. Pato ao Tucupi ou Pato à Pequim deve ser a ceia de natal. Mas o que eles comem mesmo é arroz com feijão. Todo dia um abençoado prato de arroz com feijão, bife, batata frita e salada. No entanto, o arroz é oriental, do tipo unidos venceremos: o símbolo da parceria máxima que se comemora com chá verde.
Quem já deixou alguma vez de se entender consigo, saberá do que estou falando: Há uma parte em mim que mal conheço, sequer suspeito, de tão doida ela é. Há uma parte em mim habitando vastidões dentro de mim, que me faz duvidar de qualquer impossibilidade. Mais ou menos assim como quando a gente olha um ser e diz: não sei do que esse ser é capaz, melhor ficar longe dele. Só que o ser sou eu. Como pois vou ficar longe de mim? Essa doida faz impulsivamente coisas que eu não faria e jamais diria.
Quem já deixou alguma vez de se entender consigo, saberá do que estou falando: Há uma parte em mim que mal conheço, sequer suspeito, de tão doida ela é. Há uma parte em mim habitando vastidões dentro de mim, que me faz duvidar de qualquer impossibilidade. Mais ou menos assim como quando a gente olha um ser e diz: não sei do que esse ser é capaz, melhor ficar longe dele. Só que o ser sou eu. Como pois vou ficar longe de mim?
Quem escapa do assédio do Papai Noel? Pelo visto, ninguém. A lista dos que se rendem inclui homens e mulheres, velhos e crianças. E não me diga que as crianças encabeçam a lista. Quem encabeça a lista são as mulheres, elas sim as verdadeiras responsáveis por infiltrar o velhinho pela chaminé, enchendo a casa de penduricalhos, montando a árvore com bolas coloridas, comprando os presentes, escolhendo o cardápio,- ui coitado do peru e do porquinho- preparando a comida, decorando a mesa, sem esquece
Ela era loura, chiquérrima, vinda de Curitiba, e dizia “lindíssimo” com uma classe e doçura que eu sequer suspeitava poder encontrar dentro de mim. Nos dávamos muito bem, apesar das diferenças. Ascender na “escala Richter” da sociedade dos poetas vivos, sempre me foi um tormento, um terremoto interior. Eu mal sabia como existir grosseiramente, como haveria de saber viver docemente, sem sobressaltos, sem atropelos, mansa como uma rosa silvestre? Eu não podia!
Comer, rezar, amar - Uma análise da vida Não vi o filme. Li o livro e gostei do script. Logo, pensei que a escritora tem uma imaginação pra lá de fértil e que, por essa, e por outras qualidades, merece receber os direitos autorais que lhe são devidos e mais a paparicação que a fama lhe trouxe. Vale esclarecer que comprei o livro não acreditando numa linha do que estava sendo descrito pela imprensa como história real. Já se sabe o que penso da personalidade inventiva dos escritores.
Sempre que vou viajar, acontece-me algo muito estranho. Na véspera, terminando de arrumar as malas, quando embalo as coisas para dormir, à espera da minha volta, o meu entusiasmo pela viagem diminui e dá lugar a um sentimento que se parece com um adeus definitivo. Viajar para mim é uma espécie de morte, a morte das coisas que ficam, a morte da paisagem que vejo da janela do meu quarto, a morte da rotina de cada dia, a morte dos meus hábitos, a morte dos meus animais, a morte das pequenas coisas
Viracopos é um laboratório riquíssimo de observação antroposófica, uma estação onde se pode observar de perto o comportamento dos iguais diferentes. Somos todos iguais diferentes, portadores de uma humanidade rasa que adora se mover. O homem é um ser inquieto, está sempre em movimento. Em direito civil há os chamados seres moventes. Obviamente ser movente é tudo o que se move, embora em direito civil seja um termo que se aplique apenas aos burros, cavalos e coisas tais que possuam 4 patas.
Vez por outra, eu me deparo com convites que recebo com muito carinho, mas recuso com idêntica determinação. Quase toda semana, isso acontece. E sempre que acontece, ocasiona um burburinho dentro de mim, um certo ritual perturbador. Começa com uma pressão interna, que logo é abafada pelos meus próprios argumentos. Uma luta no mais íntimo. Uma parte de mim, ainda teima em dizer "você tem que ir", enquanto a outra grita e esbraveja "você não tem quê nada".
Neste ano, eu não sei o que fazer com a primavera. As flores e os perfumes que acompanham essa estação do ano, sempre me trouxeram uma perspectiva de renovação, de renascimento, de mistério e de milagre combinados. Os ciclos de vida me atraem, me comovem, me extasiam com as suas possibilidades mágicas. Nada se perde, tudo se transforma. Nessa época, as árvores estão floridas e os pássaros se exibem em cada galho, inclusive na árvore frondosa da frente de casa.
Ao telefone, ela me disse que não tinha importância, que entendia que eu era uma pessoa ocupada e por causa disso, não tinha tempo para recebê-la. Sua prontidão de espírito, deixou-me desolada. Eu não esperava essa reação e de repente, vi-me como nenhum ser humano gosta de se ver. Por causa desse sentimento, dei adeus à liberdade daquela tarde de terça feira. Abri a porta da minha casa, mesmo sem abrir o coração. Ela viera de outra cidade, sem aviso.
A Sandra telefonou pedindo orientação sobre alimentos funcionais, para quem faz exercício físico ou para quem quer mais saúde. Também me pediu, pela milésima vez, a receita do meu pão integral, que eu escrevo num papel, bem bonitinho, e ela perde em seguida. Ou mando num e-mail e fica esquecido no meio das mensagens que recebe. Não basta ser mãe, tem que ser nutricionista, orientadora física, cozinheira, médica, psicóloga, e tantas outras funções mais.
Airton: Não há nenhum caminho mais curto para tocar o coração de uma pessoa do que chamá-la pelo nome. O nome encerra a idéia. Quando alguém nos chama pelo nome, tem o caminho e a porta. E já que você passou pela porta e entrou, percorra agora, junto comigo, algumas avenidas milenares. A figura de linguagem que você citou faz parte da natureza do escritor. O escritor sente tudo em tamanho amplificado. Se tivesse que qualificá-lo, eu diria, sem medo de errar, pelas duas vezes em que estive em con
Descobriram que Che Guevara foi gente. Proclamado tanto tempo como louco, como visionário, como santo, agora descobriram que ele foi gente. E ao descobrir que foi gente, estão esquecendo que o mundo cria e projeta aquilo que lhe convém. Podemos até atribuir a aura mitológica à máquina da propaganda marxista. Mas o buraco é mais embaixo. Desde muito antes que o marxismo existisse, os homens já tinham Che. Criamos símbolos e precisamos deles para viver.
A Bíblia tem histórias, circunstâncias e declarações que nos dão um grande trabalho para acomodar dentro delas, as nossas vontades e as nossas necessidades como ser humano, providos de intelecto, pretensões, anseios e aspirações. Há certa hora, em que a Bíblia vai por um caminho tão árduo que nós, seres redondos, completos, acabados, temos que abrir uma brecha em nossas proposições para conseguir encaixar o que eu penso, com o que Deus pensa, para poder amoldar o que eu pretendo com o que Deus p
Como conhecer jamais as insuspeitáveis possibilidades que o homem contém nessa pequena vida que lhe bate no peito? O universo é tão vasto. E assim como o macro é o micro. A beleza do sol não está apenas em seu fulgor ardente, mas na escolha pacífica da sua trajetória. Ele apenas se levanta, quando a terra ainda dorme, e segue impávido o seu caminho de luz sobre os feixes de trigo. Quando termina de abençoar aqui, começa lá. Foi-lhe devidamente providenciado que brilhasse, aquecesse e embebesse d
Não sei se a descoberta é óbvia, se é sutil, se é apenas adivinhada, em um daqueles momentos de pura revolta, que pode acontecer numa tão segunda feira pela manhã. Eu só sei que a descoberta me veio em cintilância de revelação. Um dia, como brilha um cristal partido, ela brilhou. E eu sorri e disse: mas então é isso? Mas “isso” é muito perigoso. E no entanto, perigoso ou não, a descoberta me foi tão clara como o sol do meio dia. Que continua brilhando, para mais claro ir se fazendo.
Como saber jamais o que se passa no coração de uma jovem de 15 anos, que pede-me ajuda para um mal que não conheço. As palavras tão poucas, tão doloridas e tão pungentes, se revelam como cacos em minha mão, à espera de que eu componha, com eles, um mosaico colorido. Mas só há cinza nesses cacos: “um grande problema, uma grande luta, a vida é injusta, estou sofrendo muito.” E para meu desespero, estes outros: “leio todos os dias o seu diário, te admiro muito, preciso de apenas uma palavra de uma
Andam abusando do direito de escrever no painel traseiro de carrinhos e carrões. Abusam tanto, que eu me divirto tanto. Ou me aborreço muitíssimo. Quando avisto de longe, um carro, com uma fraseologia ambulante, acelero para chegar mais perto: - “fala carro, que eu lhe escuto como um ser falante.” Que você não é, mas convencionaram que fosse. E os carros, esses dizem coisas que os seus donos gostariam de dizer, mas não encontraram espaço em outro lugar.